Arquivo da categoria ‘Literatura’

Livro “A possibilidade jurídica de adoção por casais homossexuais” chega a 4ª edição

08/02/2010

Capa do livro

O advogado e escritor Enézio de Deus Silva Júnior acaba de lançar a 4ª edição do livro A possibilidade jurídica de adoção por casais homossexuais. A publicação da Juruá Editora teve conteúdo revisado, ampliado e atualizado, especialmente de acordo com as inovações trazidas pela Lei nº 12.010/2009, conhecida como Lei de Adoção.

O especialista em Direito Público apresenta neste livro as transformações e os avanços científicos mais relevantes em torno das famílias e da homossexualidade, principalmente no âmbito jurídico quanto à concessão de pedidos de adoção a duas pessoas do mesmo sexo – desde que convivam em união afetivo-familiar estável e que demonstrem reais aptidões para a paternidade e a maternidade responsáveis.

Esta obra, considerada a primeira jurídico-doutrinária publicada no Brasil sobre o tema (1ª edição/2005), vem sendo atualizada e reeditada, porque a defesa teórica do autor está se confirmando desde 2006. Foi neste ano que começaram a serem deferidos, em caráter definitivo, os primeiros pedidos de adoções a casais homossexuais no Brasil.

Obras raras do Mosteiro de São Bento são restauradas e digitalizadas

02/02/2010

Na próxima quinta-feira, dia 4, às 9h, será realizado no Mosteiro de São Bento da Bahia (Avenida Sete de Setembro, Centro) o lançamento do site Livros Raros (www.saobento.org/livrosraros). No site estão disponíveis aos internautas 20 obras que fazem parte do precioso acervo da Biblioteca do Centro de Documentação e Pesquisa do Livro Raro do Mosteiro. Datadas dos séculos 16 e 17, todas foram restauradas, digitalizadas e disponibilizadas na íntegra e de forma gratuita na internet, em parceria com o Governo do Estado.

Biblioteca do Mosteiro

Entre as 20 raridades que foram restauradas e serão disponibilizadas para leitores de todo o mundo estão seis volumes dos Sermões do Padre Antônio Vieira publicados no final do século XVII e início do século XVIII. São edições princeps, ou seja, primeiras edições revisadas pelo próprio autor, neste caso a principal referência na língua portuguesa no Brasil. Outras obras únicas são “Seleção de Questões Disputadas sobre a Metafísica e os Ensinamentos de Aristóteles” (1685) e “Theatro Crítico de Freijó” (1876), dedicado ao “sereníssimo señor Infante de España Dom Carlos de Bourbon e Farnefio”, e a “Colleção dos Breves Pontifícios”, e Leys Regias, expedidos e publicados desde 1714.

Filologia – O projeto foi coordenado pela filóloga e professora Alicia Duhá Lose. A filologia é o estudo das sociedades e civilizações antigas através de documentos e textos deixados por elas, privilegiando a língua escrita e literária como fonte de estudos. O trabalho envolveu cerca de 20 profissionais, entre técnicos do laboratório do Mosteiro de São Bento, implantado há 12 anos, e pesquisadores do Mosteiro, da Faculdade São Bento e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Como não haviam profissionais especializados em restauração de livros raros no Estado, foi preciso capacitar o grupo de técnicos com um treinamento de três meses, monitorado por professores da Casa de Ruy Barbosa, Rio de Janeiro.

Projeto História da Bahia facilita o acesso a edições desde 1912 do jornal A Tarde

28/01/2010
Arestides Baptista/Agência A TARDE

Terminais de consulta

Edições do Jornal A Tarde, com publicação desde 1912, poderão ser consultadas na Biblioteca Pública dos Barris e no Arquivo Público da Bahia, em Salvador. O projeto História da Bahia – Da memória impressa ao conteúdo digital teve apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia e visa facilitar o acesso a documentos do século XX, proporcionando o resgate da história da Bahia.

O lançamento oficial do projeto ocorreu ontem, (dia 28), na Biblioteca dos Barris, com a disponibilização dos exemplares do período de 1912 a 1955. O projeto, que foi aprovado na lei Rouanet. Será digitalizado o acervo de edições microfilmadas do jornal A Tarde, fundado em 1912.

Digitalização – O processo de digitalização e indexação dos exemplares teve início em abril de 2009, pela M. I. Montreal Informática. O segundo módulo, de 1956 a 1999, será disponibilizado a partir do segundo semestre de 2010.

UNEB oferece vagas para alunos especiais em mestrado

27/01/2010

O Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens (PPGEL) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) inscreve, entre os dias 8 e 11 de fevereiro, para seleção na categoria Aluno Especial 2010.1 do curso de mestrado.

Estão sendo oferecidas 14 vagas, divididas entre as disciplinas Literatura e História e Análise de Discurso. Serão destinadas 40% das vagas para os candidatos que se declararem negros e 5% para os indígenas.

A taxa de inscrição é de R$ 35. Os candidatos devem entregar o comprovante de pagamento, a ficha de inscrição e o formulário de justificativa preenchidos (disponíveis no site www.ppgel.uneb.br), além dos demais documentos exigidos, na secretaria do programa. O funcionamento do setor, localizado no Campus I, em Salvador, é das 9 às 12 e das 14 às 17h.

CRÔNICA – “Não o alimentem com pipoca!”

10/11/2006

por Rafael Veloso

Era uma típica tarde de maio em Salvador. Bastava cair aquela chuvinha fina para ver, nas ruas da capital baiana, o congestionamento de guarda-chuvas e sombrinhas. Motivo para alguns tirarem do armário aquele casaco com cheiro de naftalina, para se protegerem do “frio”. Se é que faz frio nesta cidade.
Apesar de ser usuário do sistema de transportes coletivo – o popular “buzú” – ou mais conhecido como “humilhante”, fui o primeiro a chegar ao local combinado do encontro. Deveríamos realizar um trabalho de faculdade. Não seria nada complicado ou demorado. Entrevistaríamos um repórter do jornal A Tarde.
Aos poucos foram chegando os membros da “patota”, um a um. Eu, “Bia” e “Babinha”. Agora, só faltava esperar a quarta integrante do “grupo dos Minhoquinhas”. De repente, “Liloca” liga para o celular de Babinha e pergunta onde estávamos? “Como assim, onde estávamos? Lá foi ela para a outra entrada. Não prestou a atenção quando disse que era na principal”, pensei eu, já ensaiando o esporro. Que nada! Tive de guarda-lo para uma próxima ocasião. Ela já estava dentro do prédio do jornal, acenando para a gente. Coisas de Liloca!
Fomos recebidos com muita simpatia pelo nosso perfilado e a entrevista corria sem problemas, quando passa pela sala que antecede a redação – onde os visitantes são atendidos -, um jornalista cabeludo, com cara de roqueiro, que verbaliza: “Não o alimentem com pipoca!”. Na hora confesso, que ingenuamente, até pensei que nosso entrevistado gostasse de pipoca doce. Daquelas que vem no saco vermelho. Acho que essa idéia veio conduzida pela fome que estava sentindo no momento ou pelo fato de gostar desse tipo de pipoca.
Finalizado o interrogatório, ele nos acompanha até a portaria. Um papo mais descontraído, motiva Liloca a perguntar o significado da expressão usada por seu colega de trabalho. O pobre jornalista dá um sorriso amarelo e sem jeito, responde explicando que os estudantes de comunicação quando visitam o jornal, cercam os jornalistas e os idolatram como se fossem animais no zoológico em dia de domingo. Mas, como assim?! Cadê o macaquinho e a girafa? E a curiosa não contém o riso, chegando a ficar vermelha.
Essa também vai para os anais da minha vida acadêmica, fazendo companhia com a história da “minhoquinha”. Ah, vocês não conhecem a história da minhoquinha? Então, vamos lá. Podem ficar calmos que serei breve. É sempre bom avisar, antes que um leitor mais afoito desista da leitura.
Havia acabado de ingressar na faculdade de comunicação e após mais uma dessas palestras sobre o futuro da profissão, caminhava até o ponto de ônibus conversando com uma colega de curso, só que do 5° semestre. A conversa girava em torno das dificuldades do estágio em jornalismo. Foi quando ela me disse que estudante do 1° período, como eu, é a terceira pessoa depois do formando. Seguindo esse raciocínio, constatamos que os recém-formados ou os que estão concluindo o curso, são chamados nas redações de “focas”, logo eu, seria uma sardinha. Sardinha, não. Seria a isca da sardinha, ou seja, a fatídica “minhoca”. E o pior é que o apelido da turma pegou e até a coordenadora do curso, se referia a minha turma de primeiro semestre como a “turma dos minhoquinhas”. Vocês pensam que é fácil essa vida de estudante de jornalismo?

* Texto escrito em 2003.

Janela da Alma

09/10/2006

(Resenha)

Por Rafael Veloso

O documentário “Janela da Alma” (2001), de João Jardim (diretor dos documentários “Terra Brasil” e “Free Tibet”) e Walter Carvalho (diretor de fotografia do filme “Abril Despedaçado”) mostra, através de depoimentos bem humorados, a rotina de deficientes visuais, suas dificuldades e o modo com que eles aprenderam a lidar com as barreiras que lhe são impostas no dia a dia.
Entre os entrevistados está o músico Hermeto Paschoal, a atriz Marieta Severo, o escritor João Ubaldo Ribeiro, o vereador cego Arnaldo Godoy, o fotógrafo cego Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a cineasta Agnes Varda, entre outros.
O título do filme faz uma alusão à frase de Leonardo da Vinci: “o olho é a janela da alma, o espelho do mundo”. Ao contrario do que pensava Da Vinci, é possível enxergar além do sentido físico da visão. E o filme foge, justamente, deste conceito puramente fisiológico, tentando acabar com preconceitos, mostrando que o deficiente visual é capaz de ter uma vida produtiva profissionalmente e afetivamente, aceitando sua condição e se opondo a vitimização do assunto.
Reforçando essa idéia o escritor português e prêmio Nobel José Saramago afirma que somos “todos cegos de algum modo. Cegos de razão, cegos de moral”, e que a memória visual é ligada à emoção.
O excesso de informação também é citado como um fator de cegueira na nossa realidade moderna. O cineasta Win Wenders usa a armação de seus óculos para fazer um enquadramento e seleção das imagens que escolheu para construir o seu universo, “pois ter imagens demais é não ter nada”.

Referências Bibliográficas:

§ Filme Janela da Alma (Ficha técnica):
Título Original: Janela da Alma
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 73 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2002
Estúdio: Ravina Filmes
Distribuição: Copacabana Filmes
Direção: João Jardim e Walter Carvalho
Roteiro: João Jardim
Produção: Flávio R. Tambellini
Música: José Miguel Wisnick
Fotografia: Walter Carvalho
Edição: Karen Harley e João Jardim
§ CONTI, Mário Sérgio. Documentário “Janela da Alma” discute questões do ver e da visão, no site Folha On Line.
. Acesso: Agosto / 2006.
§ Site Cidade Internet . Acesso: Agosto / 2006.

O Guerreiro da Luz e seu mundo*

18/09/2006

Por Paulo Coelho

(…)
Para o guerreiro da luz, não existe amor impossível. Ele não se deixa intimidar pelo silêncio, pela indiferença, ou pela rejeição.
Sabe que atrás da máscara de gel que as pessoas usam, existe um coração de fogo.
Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca incessantemente o amor de alguém – mesmo que isso signifique escutar muitas vezes a palavra “não”, voltar para casa derrotado, sentir-se rejeitado em corpo e alma.
Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa.
Sem amor, ele não é nada.

*Coluna Maktub, de Paulo Coelho, publicada no jornal Correio da Bahia, em 10 de março de 2006.


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