Arquivo da categoria ‘Cinema’

TVE reprisa doc sobre a ascensão e a queda da lavoura cacaueira

27/01/2010

Por causa da grande repercussão, a TVE Bahia volta a exibir neste sábado (30), às 18h, o documentário Os Magníficos, do diretor francês radicado em Salvador, Bernard Attal. O documentário retrata a ascensão, a queda e a superação da lavoura cacaueira do sul da Bahia, através do drama de três personagens, que tiveram uma queda vertiginosa em seu padrão social e precisaram se adaptar e reconstruir suas vidas a partir de uma nova realidade.

Os Magníficos foi um dos projetos baianos selecionados pela quarta edição do DOCTV (Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro), parceria do Ministério da Cultura com as TVs públicas de todo o país e a produção audiovisual independente. A iniciativa garante exibição em rede nacional dos 55 documentários da atual temporada (seis deles baianos). Este é o primeiro documentário de Attal, autor dos curtas 29 Polegadas (2005), Ilha do Rato (2006) e A Bicicleta (2009).

Quinta edição do CineMAM começa dia 2

26/01/2010

O projeto CineMAM inicia a sua quinta edição de 2 a 10 e de 18 a 25 de fevereiro, de terça a quinta-feira, das 14 às 18h, apresentando uma programação composta por vídeos compilados em quatro curadorias temáticas: Narrativas Emergentes, Outras Paisagens, Temporalidade Subvertida e Carnet de Voyage.

Todas são assinadas pela diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA), Solange Farkas, e integram as curadorias especiais da Associação Cultural Videobrasil. O CineMAM é realizado em parceria com o Circuito de Cinema Saladearte e as exibições serão sempre de terça a quinta, das 14 às 18h, com entrada gratuita.

Evandro Teixeira – Instantâneos da Realidade

14/03/2007

(RESENHA)

 

Por Rafael Veloso

A história de vida e a trajetória profissional de um dos mais renomados fotógrafos do jornalismo brasileiro é o que mostra o documentário Evandro Teixeira – Instantâneos da Realidade (2003), dirigido por Paulo Fontenelle.
O diretor, através de uma minuciosa pesquisa sobre a vida e obra do fotojornalista, o desde sua infância humilde na cidade de Irajuba – BA e através de depoimentos de amigos, colegas e familiares de Evandro Teixeira, a exemplo da mãe, dona Nazinha e suas filhas, a também fotógrafa Adryana Almeida e a jornalista Carina Caldas, chega aos dias atuais.
O documentário conta o inicio da carreira no jornal carioca Diário da Noite em 1958, sua ida para o Jornal do Brasil, em 1963, onde trabalhou com o fotógrafo Rogério Reis, então editor de fotografia do JB.
Instantâneos da Realidade coleciona histórias e imagens, na sua maioria em preto e branco, que congelaram momentos marcantes da carreira de Evandro Teixeira. Momentos que se misturam com a história cultural e política mundial. A importância internacional do fotógrafo, algumas vezes mais valorizado fora do país do que aqui dentro, é apontada no depoimento de sua filha Carina Caldas. Entre os demais entrevistados no documentário estão os fotógrafos Sebastião Salgado e Walter Lessa, com quem Evandro teve suas primeiras noções de fotografia.
Estão presentes, ainda, o cantor e compositor Chico Buarque, que relembra um esforço de reportagem de Evandro para fotografa-lo ao lado de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, deitados sobre uma mesa de bar.
Através de suas lentes Evandro Teixeira, registou os mais variados temas, como os horrores da Ditadura Militar no Brasil, em 1964; o golpe no Chile que culminou com a queda do presidente Salvador Allende, em 1933; a primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Cobriu também desfiles de moda em Paris, Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, além de ter acompanhado vários presidentes da República.
Vanguardista – O fotógrafo passou a ditar moda nas coberturas esportivas da Fórmula I, quando em 1992, fotografou o piloto brasileiro Aírton Sena em um super close. A partir deste momento, esse recurso passou a ser largamente utilizado por outros profissionais, para mostrar toda a tensão e expectativas dos pilotos minutos antes das corridas.
Foi também no ano de 1992, que durante a Conferencia Mundial de Ecologia – mais conhecida como “Eco 92” -, que conseguiu furar o bloqueio da organização do evento e do alto de um guindaste fotografou os principais chefes de Estado posando para a fotografia oficial do encontro.
Até hoje na ativa como fotógrafo do Jornal do Brasil, Evandro continua nos encantando com o seu olhar apurado. Seus ensaios fotográficos já foram lançados em alguns livros, como Canudos 100 anos (1997) e Fotojornalismo, uma coletânea de sua carreira jornalística.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Ônibus 174

09/10/2006

(RESENHA)

Por Rafael Veloso

Um exemplo do fascínio que a mídia incita nas pessoas e do alto preço que elas estão dispostas a pagar pela fama, foi o drama vivido pelas reféns do ônibus que fazia a linha 174, seqüestrado no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2000. O relato deste episódio dramático de violência urbana, acompanhado por transmissão ao vivo durante quatro horas e que comoveu toda a população brasileira é abordado no documentário “Ônibus 174” (Bus 174), lançado em 2002 e dirigido por José Padilha.
O episódio culminou com a morte de uma das reféns, a professora Geisa Gonçalves, morta com três tiros disparados por Sandro do Nascimento e um pela própria polícia carioca, numa tentativa frustrada do Esquadrão de Operações Especiais em evitar a fuga do seqüestrador, que acabou sendo morto por asfixia na viatura policial depois de rendido.
No filme, o relato do seqüestro é contado em paralelo à história de vida do seqüestrador – um sobrevivente da chacina da Candelária, em 1993 -, na tentativa de contextualizar todas aquelas imagens dramáticas. Para isso, o diretor fez uma cuidadosa investigação utilizando imagens pinçadas das transmissão ao vivo feito pelas principais emissoras de televisão, além de exibir documentos oficiais, entrevistas com as reféns, familiares e amigos de Sandro, e do viúvo da vítima, bem como de policiais que participaram da operação.
É através deste trabalho de Padilha que o espectador fica sabendo que o seqüestrador, também é uma vítima da violência desde cedo. Sandro aos nove anos de idade viu sua mãe, Clarice do Nascimento, ser assassinada dentro de seu pequeno estabelecimento comercial em São Gonçalo.
No documentário, o diretor mostra o despreparo da polícia para agir em situações como essa, apontando como a interferência de autoridades que não estavam presentes no local e as deficiências técnicas dos policiais que participavam da negociação com o seqüestrador prejudicaram o desfecho do fato.
Durante todo o tempo que durou a ação, o seqüestrador fazia terror psicológico com as vítimas e incentivava o desespero, como forma de sensibilizar as autoridades e a população. Orquestrando um jogo perigoso, em que fomos todos envolvidos, em busca de seu sonho de um dia ser conhecido em todo o país, como relata a tia de Sandro. No transcorrer do documentário nos perguntamos, até que ponto as transmissões ao vivo de dramas como esse do ônibus 174 não contribui para que meninos de rua continuem tentando deixar de ser invisíveis perante a sociedade?
Sempre achamos que problemas como a violência urbana é de inteira responsabilidade dos governantes e de suas políticas equivocadas para dirimir a desigualdade social existente no país, mas esquecemos de nossa responsabilidade também. O Ônibus 174 vem nos mostrar que os bandidos são frutos de uma sociedade que os exclui, seja enquanto meninos de rua nos faróis de trânsito ou encarcerados em celas minúsculas e superlotadas, as chamadas “faculdades do crime”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

§ Ficha Técnica:
Título Original: Ônibus 174
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 133 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2002
Direção: José Padilha
§ Site “Cidade Internet”
,
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Acesso: 27/set/2006.
§ Site “Cinemando”
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Acesso: 27/set/2006.
§ BRASIL, Antônio. IN.: “Ônibus 174 não passa na Cidade de Deus”. Disponível no site Observatório da Imprensa.
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Acesso: 27/set/2006.
§ REUTERS, Agência. In.: “Documentário ‘Ônibus 174’ choca Rio BR ao relembrar tragédia”. Disponível no site Folha On Line.
.
Acesso: 27/set/2006.

Janela da Alma

09/10/2006

(Resenha)

Por Rafael Veloso

O documentário “Janela da Alma” (2001), de João Jardim (diretor dos documentários “Terra Brasil” e “Free Tibet”) e Walter Carvalho (diretor de fotografia do filme “Abril Despedaçado”) mostra, através de depoimentos bem humorados, a rotina de deficientes visuais, suas dificuldades e o modo com que eles aprenderam a lidar com as barreiras que lhe são impostas no dia a dia.
Entre os entrevistados está o músico Hermeto Paschoal, a atriz Marieta Severo, o escritor João Ubaldo Ribeiro, o vereador cego Arnaldo Godoy, o fotógrafo cego Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a cineasta Agnes Varda, entre outros.
O título do filme faz uma alusão à frase de Leonardo da Vinci: “o olho é a janela da alma, o espelho do mundo”. Ao contrario do que pensava Da Vinci, é possível enxergar além do sentido físico da visão. E o filme foge, justamente, deste conceito puramente fisiológico, tentando acabar com preconceitos, mostrando que o deficiente visual é capaz de ter uma vida produtiva profissionalmente e afetivamente, aceitando sua condição e se opondo a vitimização do assunto.
Reforçando essa idéia o escritor português e prêmio Nobel José Saramago afirma que somos “todos cegos de algum modo. Cegos de razão, cegos de moral”, e que a memória visual é ligada à emoção.
O excesso de informação também é citado como um fator de cegueira na nossa realidade moderna. O cineasta Win Wenders usa a armação de seus óculos para fazer um enquadramento e seleção das imagens que escolheu para construir o seu universo, “pois ter imagens demais é não ter nada”.

Referências Bibliográficas:

§ Filme Janela da Alma (Ficha técnica):
Título Original: Janela da Alma
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 73 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2002
Estúdio: Ravina Filmes
Distribuição: Copacabana Filmes
Direção: João Jardim e Walter Carvalho
Roteiro: João Jardim
Produção: Flávio R. Tambellini
Música: José Miguel Wisnick
Fotografia: Walter Carvalho
Edição: Karen Harley e João Jardim
§ CONTI, Mário Sérgio. Documentário “Janela da Alma” discute questões do ver e da visão, no site Folha On Line.
. Acesso: Agosto / 2006.
§ Site Cidade Internet . Acesso: Agosto / 2006.

O preço de uma verdade

09/10/2006

(Resenha)

Por Rafael Veloso

O filme “O preço de uma verdade” (Shattered Glass, EUA, 2003), do diretor Billy Ray é baseado em fatos reais. Aborda um conflito ético na imprensa, ao relatar a história do jovem jornalista Stephen Glass (Hayden Christensen), que em 1998, para se tornar popular e ganhar prestigio com os colegas de redação da revista “The New Republic”, passa a inventar histórias que dariam boas reportagens, como se fossem originais. De 41 textos produzidos e publicados por ele, 27 eram total ou parcialmente inventados e copiados. Glass retratado no filme é uma figura carismática, com uma fragilidade adolescente que encanta e desarma a todos, inclusive o editor da revista, Michael Kelly (Hank Azaria).
Mas Kelly é substituída Chuck Lane (Peter Skarsgaard). Apesar de o novo editor ser mais sério e mais responsável, inicialmente, nada muda para o jovem e bem sucedido repórter, que continua tendo suas pautas aceitas com regularidade. A situação começa a mudar quando Stephen produz uma matéria sobre uma convenção de hackers, dando um suposto furo de reportagem em uma revista on-line, que decide investigar a história mais a fundo. E a partir daí que surgem as primeiras contradições, que vão ganhando proporções de iceberg rumo a o inevitável: quando a máscara de Glass cai por completo.
O filme, que por alguns momentos deixa os espectadores angustiados com as seqüências de mentiras do personagem central – em uma tentativa desesperadora de contornar a situação, manter seu emprego e o carisma junto aos colegas –, reforça o dever do bom jornalista de não romantizar uma história, aumentava ou inventar fatos e/ou fontes, contatos como Glass fazia, tudo em nome de uma boa história para publicar. Além do trabalho de redobrado em checar todos os fatos de um texto.
O filme é excelente exemplo para os futuros profissionais da comunicação persistiram a ética e primar pela credibilidade em seu trabalho. Lembrando sempre, que o dever do jornalista é prestar um serviço a sociedade, informando com veracidade os fatos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

· Ficha técnica do filme “O Preço de uma verdade”:
Título Original: Shattered Glass
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 103 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2003
Distribuição: Lions Gate Films Inc.
Direção: Billy Ray
Roteiro: Billy Ray, baseado em artigo de Buzz Bissinger
Produção: Craig Baumgarten, Marc Butan, Tove Christensen, Gaye Hirsch e Adam Merims
§ Site “Cidade Internet”
,
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Acessado em: 07/Ago/2006.
§ Site: “Yahoo! Brasil Cinemas”
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Acessado em: 07/Ago/2006.
§ Site “Cine Repórter”
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Acessado em: 07/Ago/2006.


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